Você sabia? Sobre Capital Social.
Caro leitor.
Ao navegar através dos sites de redes sociais, blogs, microblogs e todos os outros “brinquedinhos” da Web 2.0 (ex: Facebook, Twitter, Youtube, Delicious, WordPress e por aí vai) você perceberá que sua adoção pela massa gera altíssimos índices de capital social, uma capacidade sem precedentes para colaboração e geração de conhecimento em virtualmente todos os domínios. Escrevi este texto para convidá-lo a refletir sobre isto!
As comunidades de prática são estruturas constituídas por pessoas com interesses afins que unem esforços voluntariamente para evolução da profissão. Sua estrutura não hierarquizada potencializa o respeito ao indivíduo e, portanto, sua criatividade. Em contrapartida, uma comunidade de sucesso requer forte participação de líderes e moderadores habilidosos para encorajar a colaboração e promover a cooperação e a confiança entre seus membros.
A cola que une as comunidades e outras redes sociais é chamada de Capital Social.
Capital social é a soma dos recursos atuais e potenciais, inclusos em, disponíveis através e derivados a partir da rede de relacionamentos de um indivíduo ou unidade social. A vida em comunidades com ricos suprimentos de capital social é mais fácil do que em comunidades com baixo capital social.
O capital social é formado por três dimensões:
Dimensão Estrutural
Fundamentalmente, a dimensão estrutural se refere à habilidade dos indivíduos de fazer conexões entre si. Estas conexões podem ser incentivadas de diferentes maneiras, como, por exemplo, através de reuniões presenciais focadas em contextualizar os participantes. Estas iniciativas permitem que novos membros da comunidade identifiquem facilmente os colaboradores mais experientes, facilitando o acesso à suas informações.
Uma maneira eficiente de reforçar a dimensão estrutural está na promoção da interação instrutor-estudante para estabelecimento de confiança mútua.
Dimensão Relacional
A dimensão relacional é representada pelo desenvolvimento das relações interpessoais visando reforçar as conexões iniciais. Seus elementos incluem obrigações, normas, confiança e identificação. Membros de uma comunidade procuram eliminar dúvidas a respeito da capacidade do grupo de interagir, mesmo sem estarem fisicamente próximos, para realizar uma tarefa importante para o time.
Uma maneira eficaz de promover o desenvolvimento dos componentes relacionais está no desenvolvimento de atividades de aprendizado através de colaboração (ex: eventos para simulação de situações reais de projeto).
Dimensão Cognitiva
A dimensão cognitiva do capital social surge com a geração do contexto e linguagem compartilhados pela comunidade.
O desenvolvimento da dimensão cognitiva depende fortemente da implementação de práticas, processos e estruturas que permitam, através de mecanismos de colaboração, o armazenamento e recuperação facilitados de informações históricas geradas a partir das experiências dos membros da comunidade, facilitando assim a geração de conhecimento tácito. Conhecimento tácito significa intuição, julgamento, senso comum – a capacidade de fazer algo sem necessariamente saber explicar a razão para fazê-lo. A troca ostensiva de informações entre os indivíduos em uma empresa, com o tempo, passa a constituir o que se chama de cultura organizacional. Segundo Karl Wiegers em seu livro Creating Software Engineering Culture, “cultura é como as coisas são realmente feitas por aqui!”.
Vivemos em Comunidades
Em várias delas. Pense numa comunidade como sendo cada grupo de que você participe. O time do programa ou do projeto, do seu departamento, da empresa toda, ou até do segmento de mercado no qual ela está inserida. A família, os parentes, os amigos, o grupo de quem pratica um esporte ou tem um hobby comum. Os colegas da universidade, os amigos dos filhos, os clientes. Pertencemos mesmo a várias comunidades.
Você percebe quais são as coisas que, nos diferentes ambientes, são comuns a todos estes grupos? Me refiro a esta coisa de estrutural, relacional e cognitivo: o capital social. É daí que vem o poder das comunidades! De elas serem grupos de pessoas sintonizadas nas mesmas coisas, alinhadas e comprometidas entre si e sendo capazes de colaborar de maneira genial por já terem contexto e linguagem comuns.
Exercício: reflita sobre “como” os sites que eu citei e todos os seus ”irmãozinhos” contribuem de maneiras diferentes para o fortalecimento das diferentes dimensões do capital social dentro de cada comunidade e quais são os benefícios para as pessoas e as organizações.
Referência: Nahapiet, J. and S. Ghoshal. “Social Capital, Intellectual Capital, and the Organizational Advantage.” Academy of Management Review 23(2), 1998.
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Tags: Capital Social, Comunidades, Redes Sociais
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junho 3, 2009 às 12:27 am
As ferramentas da Web 2.0 ajudam na hora de buscar e filtrar (te acharão todos os que fizerem buscas pelas suas palavras chaves), na hora de compartilhar, na hora de pedir as opiniões dos outros (e receber as suas recomendações), na hora de colaborar.
Só hoje é tão possível para os indivíduos quanto para as organizações localizar, manter e disseminar informações e conhecimento para uma audiência virtualmente global. E futuramente ubíquita!
As ferramentas da Web 2.0 são habilitadoras. Através delas pessoas mais facilmente localizam umas às outras (quem tem o conhecimento A, quem tem o conhecimento B, etc), e eventualmente se conectam através de discussões e/ou colaboração em torno de temas de interesse mútuo.
Você percebe os desdobramentos disto?
Fica mais fácil agora para os consumidores de nicho serem encontrados por quem produz – ou é capaz de produzir – para eles. Passa a ser viável operar em segmentos que antes não eram atendidos em escala suficiente para garantia da sustentabilidade. Trata-se portanto da criação de vários oceanos azuis num ecossistema mais complexo que demandará inovação em grande escala. Uma referência relevante que me vem à mente neste tema é o trabalho de Chris Anderson, The Long Tail.